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Norsk Skogkatt – Um Deus Viking das Florestas Escandinavas

 
 

Bonito, robusto, independente, afectuoso, aventureiro, brincalhão. São muitos os adjectivos que existem ao nosso dispor para descrever uma das criaturas mais distintivas da Noruega. O Norsk Skogkatt - um gato que vive com este povo há séculos.

As origens do gato Bosques da Noruega ficaram perdidas no tempo, contudo existem na mitologia Nórdica descrições de gatos que se assemelham muito ao gato que conhecemos hoje. O Norsk Skogkatt é um selvagem tranquilo que se deixa caracterizar pela estabilidade temperamental. um gato sociável, de carácter fácil, calmo e sempre um brincalhão. É independente, resistente e corajoso. Sempre alerta e pronto a defender o seu território, ele é um verdadeiro gato desportivo, trepador nato e excelente caçador e com uma flexibilidade de movimentos surpreendente. Uma voz doce num gato rústico.

 

                                   

Ilona Friedrich cria Bosques da Noruega há 14 anos. Vive no sul da Alemanha em Merching perto de Augsburg.  Desde criança Ilona quis ter um gatinho, porém a mãe não lhe permitiu ter animais dentro de casa. Aguardou então até ter a sua própria casa para poder ter um.

O seu primeiro gato foi “um pequeno e engraçado macho, tabby vermelho e branco”,  “ para grande desgosto meu morreu apenas com dois anos num acidente”. Quando procurava um novo gato para lhe fazer companhia viu numa revista um artigo sobre Main Coons – “Fiquei impressionada com estes gatos grandes e de expressão selvagem”, no entanto naqueles anos era difícil encontrar criadores desta raça.Contudo é nessa mesma revista que descobre a existência de uma raça semelhante, os Bosques da Noruega.
Rapidamente Ilona contacta a criadora e vai visita-la. Ficou tão fascinada com o seu temperamento amoroso e aspecto selvagem que decidiu comprar um belo exemplar macho tabby silver com branco. Desde aí que prefere gatos silver, a cor do seu primeiro gato Bosques da Noruega, consequentemente as suas ninhadas são maioritariamente silver e smoke, tendo no entanto gatinhos de todas as cores, com a excepção do branco. Apesar de Inicialmente ter comprado o seu gato apenas para companhia, ao frequentar as exposições foi-se afeiçoando à ideia de ser criadora. No final de 1990 já tinha decidido dar seguimento a esta raça. Teve a sua primeira ninhada em 1992, após ter aumentado a família com mais duas fêmeas. Enquanto pensava no nome que usaria para o seu gatil, uma amiga mostrou-lhe umas fotografias e um artigo sobre a Noruega e o parque natural “Jostedalsbreen”. Foi daí que ficou com o nome para o seu gatil - “av Jostedalsbreen”.

Fee, hoje com 14 anos, é a fêmea fundadora. Posteriores a ela existem já seis gerações. Rebell av Jostedalsbreen descendente desta fêmea é o seu favorito - “Para mim, ele é perfeito em termos de beleza e de estalão. Nas exposições ele tem tido muito sucesso e hoje em dia estou muito satisfeita por ter em casa Xamira uma das suas filhas”.
Os seus machos vivem com as fêmeas numa larga divisão de 110 m2 com uma varanda de 8 m2 - “Saúde, temperamento amoroso e excelente tipo são as coisas mais importantes na minha criação”.

 

Heather Anne Martin vive em Tudela, Espanha. É uma criadora apaixonada pela raça Bosques da Noruega. Inicialmente era uma criadora de cães Basset Hound mas, apesar de os achar espectaculares, rapidamente descobriu que sentia a falta era de gatinhos e não de cachorrinhos. Inicia assim a sua criação em 2003 com Gataca de La Zarina, a sua primeira gata Bosques da Noruega. Gataca é uma gata com três anos e está com Heather Anne Martin desde Abril de 2002.
Esta criadora descobriu a raça Bosques da Noruega através de várias pesquisas e artigos sobre as diversas raças existentes, donde facilmente concluiu que a sua raça de eleição teria de ser de pelo semi-longo, daí a escolher os Bosques da Noruega foi um passo. Depois de ter lido “um artigo especial sobre NFO (Bosques da Noruega) numa revista, a minha mente ficou rapidamente convencida. Uma decisão da qual não me arrependo nem por um segundo”.

O nome do seu gatil foi sugerido pela sua filha – La Peyre (é a palavra para Pedra na região de Berne, França) é o nome da propriedade e da casa onde viveram os seus pais por muitos anos.

 


*Copyright @Ilona Friedrich

Quais são as características que gosta mais no gato Bosques da Noruega?

Ilona Friedrich – Estes gatos são muito brincalhões, muito sociais (é melhor ter dois para fazerem companhia um ao outro), são grandes conversadores de vozes suaves.

 

Heather Anne Martin – O seu carácter incrivelmente bem equilibrado, eles são de confiança e pouco exigentes. Adoro os seus lindos perfis direitos. O espectacular casaco de pelo no Inverno que é curto e tão prático no verão.

O que a atrai mais no facto de ser criadora? E o que menos gosta?

Ilona Friedrich – Eu gosto de ver os meus gatinhos crescerem, é muito estimulante assistir ao seu desenvolvimento até serem adultos e verificar se o cruzamento foi perfeito ou não mas às vezes não é muito fácil encontrar as pessoas certas para os gatinhos. Nos últimos anos na Alemanha muitas pessoas pensam que ser criador é muito fácil, compram gatos sem saberem nada sobre genética nem sobre o estalão, apenas pretendem gatinhos para vende-los a baixo custo.  

 

Heather Anne Martin – É difícil reduzir a reposta, são tantas as coisas de que gosto: estar presente no nascimento e dar as boas vindas aos novos gatinhos, ver o contentamento da mãe a alimentar os seus filhos, vê-los a começar a brincar às 5-6 semanas no entanto não é agradável quando ficamos preocupados por que os gatos ou gatinhos não estão bem ou quando não estão a ganhar peso suficiente.

Quais as doenças com que um criador de Bosques da Noruega tem de se preocupar?

Ilona Friedrich - Defeitos genéticos como por exemplo nós nas caudas podem ocorrer ocasionalmente embora devam ser evitados. Crias com um defeito desses não podem ser utilizadas para criação.
Defeitos profundos como a Fenda Palatina e o posicionamento incorrecto das pernas em crias são intoleráveis e eu pessoalmente retiraria, nesses casos, os pais da criação.
Nos últimos tempos têm ocorrido nalguns Gatos Bosques da Noruega, especialmente nos animais grandes ou que têm tendência para engordar, uma doença no músculo cardiaco, a HCM (Cardiomiopatia Hipertrofica Felina). Os sintomas desta doença normalmente não são imediatamente reconhecíveis, no entanto uma cria com HCM hereditário morre na maioria dos casos inesperadamente após um ano de idade.

 

Heather Anne Martin – Felizmente até agora a raça tem estado relativamente liberta de doenças congénitas sérias. Obviamente que um programa de vacinação é muito importante tal como noutra raça qualquer.

Como escolhe o macho e a fêmea que pretende cruzar?

Ilona Friedrich - Quando escolho os meus animais de criação tenho sempre em atenção os seus pais e avós. Existe uma expressão que diz - Olha para os avós e verás como serão as tuas futuras crias. É sempre importante saber qual a linhagem dos antepassados para se poder tirar conclusões em relação às crias. Mesmo assim não se está livre de surpresas

 

Heather Anne Martin – Basicamente escolho gatos que se complementam. Todos os gatos têm pontos fortes e fracos. Tendo um gatil pequeno tenho um macho adulto que já foi pai de duas ninhadas e um macho jovem que terá um ano em Junho mas também cruzo as minhas fêmeas com outros machos quando possível.

Como é o cio numa gata Bosques da Noruega?

Ilona Friedrich - O cio é completamente diferente de gata para gata. Mas poderá ser de 3 a 10 dias.

 

Heather Anne Martin – Na generalidade desenvolvem-se tarde e não tem o primeiro cio antes dos 9 meses, pelo menos esta é a minha experiência até agora. Dezembro e Janeiro parecem ser os seus meses favoritos e se não cruzarem o ciclo repete-se todas as 3-4 semanas e depois outra vez nos finais da primavera ou no verão. Claro que isto varia muito de uma fêmea para outra e o número de fêmeas a viverem juntas parece afectar também.

De quanto tempo é a gravidez?

Ilona Friedrich - A gravidez dura, regra geral, entre 63 e 68 dias. As minhas gatas dão à luz na maioria das vezes entre o 64º e o 66º dia. Até agora só tive uma ninhada que nasceu apenas no 68º dia.

 

Heather Anne Martin – Normalmente duram 65 dias.

Caso todas as crias nasçam com as mesmas marcas e coloração, qual o sistema que usa para as distinguir?

Ilona Friedrich – Nos casos em que as crias são, à nascença, muito parecidas pego em verniz das unhas encarnado e marco-lhes as unhas para as distinguir. Mas maioritariamente após uma semana conheço os animais e as suas características de tal forma que os consigo distinguir através disso

 

Heather Anne Martin – Até agora tem sido bastante fácil distingui-los, existe sempre algo muito específico, sendo muito mais fácil quando têm marcas brancas. Dou-lhes nomes nas primeiras semanas ou mais cedo e chamo-os pelos nomes quando lhes pego. No entanto se alguma vez precisar usarei verniz das unhas nas patas, é um truque que ouvi e hei-de me lembrar caso seja necessário.

Quais sãos as preocupações que tem quanto ao desenvolvimento dos gatinhos e como verifica se o desenvolvimento está bom?

Ilona Friedrich – Algumas crias desenvolvem-se mais lentamente do que as outras, devido às suas origens. É por isso muito importante conhecer bem a linhagem de modo a poder tomar decisões. Apesar disso tem-se por vezes a surpresa de à partida parecer um “patinho feio” e ser um belo ”cisne”.
Acima de tudo deverá tentar-se que os gatos destinados à criação sejam o mais aproximado do estalão que possível, apesar de existirem alguns criadores que me deixam na dúvida quanto a essa regra. Tento por isso tomar sempre uma decisão após as 6 a 8 semanas apesar de como já referi, não haver garantias quanto ao desenvolvimento futuro do animal.

 

Heather Anne Martin – Os gatinhos são pesados assim que nascem e de novo após 12 horas. Depois disso diariamente à mesma hora. A primeira coisa de manhã ou à noite. Com uma ninhada de 8, no último verão, comecei por faze-lo de manhã mas como tinha de colocar o alarme tão cedo acabei por mudar para a noite. 

Socializa os gatinhos? Como o faz?

Ilona Friedrich - De modo a habituar, desde cedo, as crias à minha presença, pego nelas várias vezes ao dia. As mães não têm qualquer problema com isso e os pequenos habituam-se assim mais rapidamente a mim. A gata fica com a sua ninhada, durante as primeiras 3 a 4 semanas, no meu quarto, de modo a ter o seu sossego. Verifiquei ao longo dos anos que as minhas gatas apreciam bastante este procedimento.

 

Heather Anne Martin – Os gatinhos nascem no nosso quarto e dormem perto de mim até terem mais ou menos 3 semanas. Assim que conseguem subir para a cama são mudados para outra divisão, normalmente para a sala pequena da televisão que é bastante segura. Nós precisamos do nosso sono e estou sempre preocupada se ao me virar não firo algum gatinho. Passam tanto tempo quanto possível connosco e normalmente ficam apenas com a mãe até às 6 semanas. Os outros gatos da casa visitam-nos quando supervisionados mas normalmente as mães gostam de controlar a situação. Entre as 10 e as 12 semanas os outros gatos têm um importante papel na educação dos gatinhos, aprendem a respeitar os gatos mais velhos. Às vezes as fêmeas mais novas gostam de tomar conta dos bebes e as mães normalmente ficam bastante contentes por terem algum tempo livre. As visitas são encorajadas a virem e visitarem os gatinhos desde muito cedo. Amigos meus que vêm para uma visita rápida têm acabado por ficar por algumas horas a brincar no chão com os gatinhos.

Escolhe os futuros donos segundo algum critério? Se sim qual?

Ilona Friedrich - Na selecção dos donos confio sempre na minha primeira impressão e no meu conhecimento sobre a natureza humana. Acima de tudo observo a primeira reacção dos compradores aos gatos podendo ver logo por aí como irão tratar os animais e se realmente estão interessados neles.
Nos criadores analiso também outros critérios muito importantes como por exemplo quantos animais possuem e em que condições. Quantas vezes trocam de animais de criação e se planeiam antecipadamente a compra destes.
Com criadores estrangeiros vejo-me perante apenas a imagem que o e-mail transmite, no entanto dentro da Europa tento fazer pessoalmente a entrega dos gatinhos ficando assim a conhecer a nova casa destes e verificando se é o lugar apropriado para eles. Acima de tudo espero por parte dos futuros donos um interesse activo no desenvolvimento do seu novo animal.

 

Heather Anne Martin – Sim, preciso de sentir que irão amar os gatinhos e dar-lhes uma boa casa, quanto mais contacto tenho com os futuros compradores melhor. Gosto de os conhecer razoavelmente bem e também de mater contacto posteriormente. Gosto de partilhar o prazer que têm com o novo membro da família mas também respeito o facto de que o gato pertence agora a eles e não a mim. A minha família às vezes diz que sou demasiado selectiva, mas acho que apenas dizem isso para me tentarem aborrecer. Até agora tenho tido muita sorte.

Que idade têm os gatinhos quando vão para os seus donos?

Ilona Friedrich – Caso se destinem à Alemanha entrego as crias já com 12 a 13 semanas de idade. Dentro do espaço europeu deve-se contar ainda com 30 dias por causa da vacinação contra a Raiva. Para a Escandinávia, Reino Unido e restantes países são válidas a normas de entrada, em vigor.

 

Heather Anne Martin – Têm pelo menos 12 semanas de idade, ao terem todas as vacinas.

Ao vender faz alguma distinção entre se é um gato para criadores ou apenas para animal de companhia?

Ilona Friedrich - Pouco tempo depois do seu nascimento analiso a cria de modo a verificar se serve para a criação. A partir da 4ª ou da 5ª semana encontra-se esta ou aquela pequena falha apesar de na maioria dos casos não me enganar por muito. Ninguém pode dar garantias quanto ao bom desenvolvimento da cria mas o facto de já ter alguns anos de experiência tornam a escolha mais fácil.

 

Heather Anne Martin – Obviamente tento escolher o melhor da ninhada para criação, no entanto às vezes é uma questão de adivinhar mesmo para a mais experiente criadora, muitas vezes o gatinho mais promissor pode ser exactamente “promissor” e nada mais, podendo acontecer também exactamente o oposto. Existe uma diferença muito pequena quanto ao preço entre um e outro, mais simbólica do que decisiva.


*Copyright @Ilona Friedrich


*Copyright @Ilona Friedrich

Como começou a ir a exposições?

Ilona Friedrich - A criadora do meu primeiro macho entusiasmou-me logo a ir às exposições de gatos.

 

Heather Anne Martin – 10 dias depois de Gataca ter chegado houve uma exposição em Huesca a cerca de 150 Km de Tudela onde nós vivemos. Foi a sua primeira exposição aos 4 meses, e a minha também! Ela portou-se lindamente e eu fiquei realmente impressionada e fascinada por todo o processo, desde então fiquei realmente viciada em exposições de gatos. Gataca tornou-se Campeã Europeia e agora fica em casa, no entanto tenho os seus descendentes que a substituem. Felizmente todos eles gostam mais de exposições do que ela gostava.

Acha que os gatos gostam de estar nas exposições?

Ilona Friedrich - Nas exposições apenas apresento gatos com temperamento bem equilibrado, de outro modo é demasiado stressante para eles.

 

Heather Anne Martin – Alguns mais do que outros. Na generalidade enquanto são gatinhos não há problemas. Eles gostam da atenção extra, antes e depois das exposições. Os meus gatos adoram ficar em hotéis. Quando começam a crescer, especialmente as fêmeas, são menos entusiásticos. Gatos que não gostam das exposições normalmente ficam em casa; É mais divertido quando eles gostam tanto como nós. Para alguns gatos é-lhes indiferente, não gostam nem deixam de gostar. Na generalidade os Noruegueses são fáceis, na sua maioria estão bem nas exposições.

Do que é que gosta mais, e menos, nas exposições?

Ilona Friedrich - Gosto de ir a exposições para encontrar outros criadores e falar sobre gatos e a sua criação. Penso ser importante ouvir opiniões de outros sobre os meus gatos, e claro ver se, de vez em quando, têm sucesso nas exposições. Por vezes existem, nas exposições, juízes que preferem os donos aos gatos, e isso é o que eu mais detesto sobre tudo o resto.

 

Heather Anne Martin – A preparação, ter tudo pronto. A quantas mais exposições vou mais pessoas conheço, gosto muito da obtenção de novos amigos e de passar dois dias a falar sobre gatos. Do que não gosto é das longas horas que os gatos têm de passar nas gaiolas durante as exposições. Ás vezes as viagem são demasiado longas, apesar de os gatos serem óptimos viajantes e nós tentarmos tornar a viagem numas mini férias.

por: Mariana Alberto

 
 

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